A oração mais difícil


Ontem eu chorei como nunca.
Chorei como se o coração estivesse sendo arrancado devagar. Não foi um choro bonito, daqueles de filme. Foi um choro pesado, em que a respiração falha e o peito parece não aguentar mais.
Eu me senti como a Jennifer Aniston naquelas dores silenciosas que todo mundo vê, mas que ninguém realmente consegue sentir por dentro.
Porque amar alguém assim dói.
E no meio das lágrimas eu percebi algo que partiu ainda mais o meu coração:
o meu amor virou um monólogo.
É como uma ligação em que só eu falo.
Eu ligo, eu explico, eu sinto, eu espero… e do outro lado só existe silêncio.
Amor deveria ser conversa.
Troca.
Duas vozes que se encontram.
Mas quando só uma pessoa insiste em manter a linha viva, o que era amor começa a virar eco.
Então ontem eu fiz a oração mais difícil da minha vida.
Eu pedi a Deus para arrancar esse amor de mim.
Não porque amar seja errado.
Mas porque amar alguém que não fica, que não escolhe você… é um tipo de dor que vai esgotando a alma aos poucos.
Foi estranho dizer isso.
Porque, no fundo, a gente sempre pede o contrário. Pede para a pessoa voltar, para dar certo, para a história mudar.
Mas ontem eu não pedi isso.
Disse a Deus:
“Se esse amor não é para mim, tira do meu coração. Porque eu não estou conseguindo sozinha.”
Porque pedir para esquecer quem a gente ama é como pedir para arrancar um pedaço da própria alma.
Talvez amar também seja isso:
ter coragem de entregar a Deus aquilo que a gente queria segurar para sempre.
E confiar que, se ficar, é porque era para ser.
Mas se for embora… talvez seja porque Deus ouviu a minha oração.
Enquanto isso, eu sigo vivendo esse luto silencioso.
Aprendendo, aos poucos, a reconstruir um coração que um dia amou alguém com tudo o que tinha.  💔✨